Pesquisa de satisfação em restaurante com perguntas modelo é um questionário curto, com escala fixa e poucas abertas, que o cliente responde em menos de dois minutos no salão, no balcão, no QR da comanda ou no link do delivery. O objetivo não é “ouvir o cliente” em tese: é marcar nota de comida, atendimento, higiene, tempo, preço e intenção de voltar, com perguntas que a cozinha e o salão transformem em ação na mesma semana.
Pesquisa da Abrasel em parceria com o Sebrae aponta a limpeza e higiene das instalações físicas, o atendimento e o ambiente, nessa ordem, como os três principais fatores que orientam a escolha do estabelecimento pelo cliente no setor de bares e restaurantes (Abrasel). Por isso o modelo abaixo não começa pelo “sabor genérico”: ele separa higiene, serviço e ambiente do prato e do preço. O hub do tema está em experiência do cliente em restaurante.
O que uma pesquisa de satisfação em restaurante precisa medir
Medir satisfação no foodservice é cruzar expectativa e experiência real: produto, atendimento, preço, local ou entrega, e comunicação. O Sebrae-SP, no e-book Como medir a satisfação dos clientes de pequenos negócios (2015), orienta identificar o perfil dos respondentes (quando fizer sentido), avaliar os itens de marketing (os 4 P’s e derivações), preferir perguntas fechadas com escala e concentrar o formulário em uma única página, em vez de encher o cliente de itens (Sebrae-SP).
Para dono e gerente, isso vira cinco blocos de decisão:
- Produto: sabor, temperatura, apresentação, porção e consistência do que foi pedido.
- Serviço: acolhimento, clareza do cardápio, atenção da equipe e resolução de problemas.
- Higiene e ambiente: banheiro, mesa, louça, cheiro, ruído e percepção de limpeza (alinha com o ranking Abrasel/Sebrae).
- Tempo e canal: espera na mesa, no balcão, na retirada ou no delivery.
- Valor e lealdade: preço justo pelo que recebeu, intenção de voltar e recomendação.
Observação informal no salão ajuda, mas sozinha distorce: o Sebrae-SP alerta que só conversa e observação do comportamento de compra estão sujeitas a distorções e podem não representar a opinião da maioria. Pesquisa sistematizada com roteiro ou formulário fecha o ciclo.
Perguntas modelo: questionário base (salão e balcão)
Use esta versão como padrão de casa. Escala fechada de 1 a 5 (1 péssimo, 2 ruim, 3 regular, 4 bom, 5 ótimo), com opção “não sei / não se aplica”. O Sebrae-SP recomenda, para tabulação, a escala adjetiva de cinco graus (péssimo a ótimo) ou a numérica de 0 a 10, e um sexto item “não sei” quando o cliente não usou ou não percebeu o serviço. A numeração 1 a 5 abaixo é convenção operacional desta casa, alinhada aos cinco adjetivos. No final, uma nota geral de 0 a 10 e duas abertas curtas.
Identificação operacional (preenche a casa, não o cliente): data, turno, canal (salão / balcão / delivery / retirada), mesa ou pedido, unidade (se franquia).
- Como você avalia a qualidade da comida ou bebida pedida? (1 a 5)
- Como você avalia a temperatura e a apresentação do pedido? (1 a 5)
- Como você avalia o atendimento da equipe? (1 a 5)
- Como você avalia a limpeza e a higiene do ambiente, da mesa ou da embalagem? (1 a 5)
- Como você avalia o tempo de espera até receber o pedido? (1 a 5)
- Como você avalia o preço em relação ao que recebeu? (1 a 5)
- De 0 a 10, qual a nota geral desta experiência?
- Você voltaria a consumir conosco? (sim / talvez / não)
- Você recomendaria este restaurante a um amigo ou familiar? (sim / talvez / não)
- O que mais gostou? (aberta, uma linha)
- O que mais precisa melhorar? (aberta, uma linha)
- Opcional: autoriza contato para devolver feedback? (sim / não) + WhatsApp ou e-mail
Doze itens, com no máximo duas abertas. Mais do que isso, a resposta cai e a tabulação vira arquivo morto. Para o fluxo de coleta (QR, garçom, link pós-pedido), veja como coletar feedback de clientes em restaurante.
Bloco de higiene: o que a pergunta captura e o que a norma exige
A nota de limpeza na pesquisa é percepção do cliente e não substitui o controle sanitário. Em âmbito federal, a RDC nº 216/2004 da ANVISA fixa Boas Práticas para serviços de alimentação e exige tratamento térmico em que todas as partes do alimento atinjam, no mínimo, 70 °C (temperaturas inferiores só com combinação tempo-temperatura suficiente para a qualidade higiênico-sanitária). Em São Paulo, o art. 41 da Portaria CVS 5/2013 exige 74 °C no centro geométrico; a Portaria CVS 3/2026 (art. 59) eleva esse piso para 75 °C a partir de 04/10/2026, data em que a CVS 5/2013 deixa de vigorar no Estado. Nunca atribua 74 °C nem 75 °C à ANVISA: esses valores são da vigilância sanitária estadual paulista. Nota de higiene baixa pede checklist de abertura, banheiro, louça e manipuladores, não só desconto no próximo pedido.

Variações por canal e tipo de negócio
Troque ou acrescente no máximo três perguntas específicas. O núcleo (comida, atendimento, higiene, tempo, preço, nota geral, retorno) permanece igual para comparar semanas e unidades.
| Canal ou formato | Perguntas a priorizar | Pergunta extra recomendada | Quando aplicar | Erro clássico |
|---|---|---|---|---|
| Salão (restaurante, pizza, bar com cozinha) | Comida, atendimento, higiene, tempo de mesa, ambiente | “O cardápio e a indicação do garçom foram claros?” | Após o pagamento ou com QR na conta | Pedir pesquisa no meio do jantar |
| Balcão / lanchonete / café / padaria | Velocidade, acerto do pedido, limpeza do balcão | “A fila e a chamada do pedido foram fáceis de entender?” | No recibo, totem ou QR do balcão | Formulário longo para consumo de 8 minutos |
| Delivery / dark kitchen | Embalagem, temperatura na chegada, acerto do pedido, tempo de entrega | “A embalagem protegeu o prato e o molho?” | Link no app, WhatsApp ou SMS 15 a 40 min após a entrega | Só perguntar nota da plataforma e ignorar cozinha |
| Hamburgueria / fast casual | Ponto da carne, batata, montagem, tempo | “O ponto e os adicionais saíram como pedidos?” | No balcão ou no app de fila | Agrupar tudo em “comida” sem detalhar o ponto |
| Franquia / multiunidade | Mesmo núcleo em todas as lojas + código da unidade | “Em qual unidade você foi atendido?” (obrigatória) | Mesmo formulário nacional, filtro por loja | Cada loja inventar perguntas diferentes |
Franquia sem campo de unidade vira média inútil: a loja A mascara a loja B. Padronize o núcleo e compare por casa.
Escalas que a equipe consegue tabular na segunda-feira
Escala confusa gera planilha inútil. Siga o que o Sebrae-SP descreve na prática de campo:
- Escala adjetiva de 5 graus (péssimo a ótimo), como o Sebrae-SP exemplifica, para blocos de produto, serviço, higiene, tempo e preço. Sempre com o sexto item “não sei” (ou “não se aplica”), para não forçar nota em item que o cliente não viveu.
- Escala numérica 0 a 10 só na nota geral, no mesmo padrão numérico que o Sebrae-SP usa nos exemplos. Evita misturar “nota 4 de 5” com “nota 4 de 10” na mesma planilha.
- Sim / talvez / não para retorno e recomendação. “Talvez” é zona de recuperação: o cliente não virou detrator público, mas não está seguro.
- Uma grade sequencial (mesma escala em várias linhas) encurta o tempo de resposta e reduz erro de leitura no celular. O Sebrae-SP chama isso de “superdica” de formulário.
Não use escala só com polos positivos (por exemplo, “satisfeito / muito satisfeito” sem ruim e péssimo). O Sebrae-SP alerta que escala com mais opções positivas do que negativas distorce a média e dificulta achar ponto de melhoria. Contato opcional basta para devolver resposta; evite CPF sem necessidade clara e base legal.
Como aplicar o questionário sem atrapalhar o turno
O melhor momento é depois da experiência principal e antes do cliente sumir: conta, balcão ou janela curta pós-entrega. Três regras:
- Convite curto. “Pode avaliar em 1 minuto? Ajuda a melhorar o próximo pedido.” Sem discurso de marca.
- Um dono da coleta. Caixa, hostess ou gerente de turno. Se “todo mundo pede”, ninguém pede.
- Meta de volume semanal, não de “quando der”. Defina mínimo por canal. Volume irregular impede comparar semanas.
Respostas muito negativas (nota geral 6 ou menos, ou “não voltaria”) saem da planilha e entram no fluxo de gestão de reclamações de clientes no mesmo dia: contatar, corrigir e registrar o que falhou.
Do formulário à ação: o que cada nota aciona
Pesquisa sem dono de ação vira enquete de ego. Amarre cada bloco a um responsável e a um prazo de 7 dias:
- Comida / temperatura / apresentação: chef ou cozinha líder. Revisar ficha, ponto de montagem e tempo de passagem.
- Atendimento: gerente de salão. Briefing de abertura, script de boas-vindas e tratamento de erro.
- Higiene / ambiente: responsável de abertura e fechamento. Checklist de banheiro, salão e área de exposição.
- Tempo: salão + cozinha. Gargalo de mise en place, pico sem apoio ou roteiro de delivery.
- Preço percebido: dono ou gerente. Pode ser porção, expectativa do cardápio ou frete.
Para priorizar o que corrigir primeiro, use a análise de feedback de clientes. Depois, feche o ciclo com rotina de abertura, pico e fechamento. Modelos de checklist por área estão na biblioteca de checklists da Koncluí.
Pesquisa, reclamação e o que a lei do consumidor exige da casa
Questionário voluntário não substitui o dever de informar e de responder a vício de serviço. O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) lista, entre os direitos básicos do art. 6º, a proteção da vida, saúde e segurança (inciso I), a informação adequada e clara (inciso III) e a efetiva prevenção e reparação de danos (inciso VI). No art. 20, o fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor. No art. 26, o direito de reclamar por vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em 30 dias no fornecimento de serviço e de produtos não duráveis, contados da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços (art. 26, I e § 1º).
Se a pesquisa ou a reclamação aponta prato errado, atraso grave, sujeira ou risco sanitário, registre, responda e corrija o processo. Nota alta na enquete com reclamação ignorada no WhatsApp destrói confiança mais rápido do que nunca perguntar.
Modelo enxuto de 5 perguntas (quando o cliente está de saída)
No pico ou no delivery apertado, use só o núcleo:
- Nota da comida (1 a 5)
- Nota do atendimento ou da entrega (1 a 5)
- Nota da limpeza / embalagem (1 a 5)
- Nota geral (0 a 10)
- O que melhorar? (uma linha)
Rode o modelo completo uma vez por mês; o enxuto, toda semana. O que importa é série histórica comparável.
Checklist de implantação em 7 dias
- Dia 1: copiar o questionário base, definir escala única e campos de data, turno, canal e unidade.
- Dia 2: escolher canal de coleta (QR no salão, link no WhatsApp, papel no balcão) e dono da rotina.
- Dia 3: treinar equipe com o texto de convite e a regra de escalar nota baixa no mesmo dia.
- Dias 4 e 5: piloto em um turno de pico; medir tempo de resposta e se sobra pergunta inútil.
- Dia 6: montar planilha simples: média por bloco, contagem de “não voltaria”, top 5 termos das abertas.
- Dia 7: reunião de 20 minutos com cozinha e salão: três ações com prazo e responsável.
Pesquisa de satisfação em restaurante só paga o tempo investido quando a pergunta é específica, a escala é estável e cada nota baixa vira correção de processo. O questionário está pronto; o restante é disciplina de turno.