Planilha inventário estoque Excel para restaurante

A planilha de inventário de estoque em Excel para restaurante é um arquivo de contagem física valorizada (item, quantidade, unidade, custo e local) que vira estoque inicial e final do período. Sem ela o CMV vira chute: a base de gestão é CMV = estoque inicial + compras – estoque final, a mesma lógica do material do SEBRAE Paraná sobre CMV de restaurante. Este post entrega o modelo para Excel ou Google Planilhas: colunas, fórmulas e rotina de contagem.

O SEBRAE também orienta o uso de planilha de controle de estoque para evitar perdas e excesso, com foco em entradas, saídas e compra. No foodservice, inventário é a foto do estoque em uma data; controle é o filme diário. A busca por inventário em Excel pede o artefato. Abaixo está o molde.

O que a planilha de inventário mede

Inventário de estoque é a contagem física de cada item ainda na casa, em quantidade e em reais. Serve para fechar o mês, auditar quebra, calibrar compra e alimentar o CMV. Não substitui ficha técnica, registro de temperatura de equipamento nem o FEFO no dia a dia.

  • Abertura: foto no primeiro dia do período (estoque inicial).
  • Fechamento: mesma regra de contagem e valorização no último dia (estoque final).
  • Cíclico: um grupo por dia (carnes na segunda, laticínios na terça) sem parar a casa.
  • Emergência: contagem pontual após furto suspeito, queda de energia ou troca de gerente.

Quem ainda não fixou reposição por item deve cruzar a planilha com o guia de estoque mínimo e máximo. A planilha mostra o que existe; a política de mínimo e máximo diz o que pedir.

Modelo pronto: três abas para copiar no Excel

Crie o arquivo com as abas Cadastro, Contagem e Resumo. Use a sintaxe do Excel em português do Brasil. Em instalação em inglês, troque SOMA por SUM, SE por IF e o separador de argumentos de ponto e vírgula por vírgula.

Aba Cadastro

Uma linha por SKU operacional. Não misture “queijo” genérico com três pesos e marcas.

  1. A Código / SKU
  2. B Item (nome da cozinha)
  3. C Categoria (carne, hortifruti, laticínio, seco, bebida, embalagem, limpeza)
  4. D Unidade de contagem (kg, L, un, cx)
  5. E Unidade de compra e F Fator de conversão
  6. G Custo unitário médio (R$ por unidade de contagem, da NF)
  7. H Local padrão (câmara, freezer, despensa, bar)
  8. I Mínimo, J Máximo, K Curva ABC, L Ativo (Sim/Não)

Aba Contagem

Uma linha por item na data. Duplique a aba por período ou filtre por data. Não some contagens de dias diferentes no mesmo total.

  1. A Data
  2. B Código e C Item (use PROCV ou XLOOKUP a partir do Cadastro)
  3. D Local contado
  4. E Quantidade e F Unidade
  5. G Custo unitário = =PROCV(B2;Cadastro!A:G;7;FALSO)
  6. H Valor = =E2*G2
  7. I Validade mais próxima, J Observação / lote
  8. K Contador 1, L Contador 2, M Divergência (só após reconferência)

Total do inventário: =SOMA(H2:H2000). Esse valor é o EI ou o EF. Item com validade vencida não entra como estoque útil: zere a quantidade aproveitável e registre a perda. A cartilha da ANVISA sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação (material educativo alinhado à RDC 216/2004, não o texto da resolução) afirma que produtos com prazo de validade vencido não devem ser utilizados no preparo. Identificação de abertos e preparados, e conservação sob temperatura controlada, estão no mesmo material de treino; a regra normativa federal de identificação e de tratamento térmico está na RDC nº 216/2004.

Aba Resumo

  • B2 Período e B3 Unidade
  • B4 Estoque inicial (R$)
  • B5 Compras do período (R$)
  • B6 Estoque final (R$)
  • B7 Receita de comida e bebida (R$)
  • B8 CMV (R$) = =B4+B5-B6
  • B9 CMV (%) = =SE(B7=0;0;B8/B7)
  • B10 Perdas registradas (R$)
  • B11 Responsável e data

Se o inventário já estiver fechado e faltar só o aritmético do percentual, use a calculadora de CMV da Koncluí com EI, compras e EF.

Fórmula visual de cálculo de CMV: estoque inicial mais compras menos estoque final igual CMV em reais, com uma seta descendente levando ao resultado final CMV percentual destacado em teal, que é o CMV em reais dividido pela receita do período
Estrutura da fórmula de cálculo de inventário e CMV, mostrando como os dados das três abas da planilha (cadastro, contagem de físico e resumo) se conectam para gerar o custo de mercadoria vendida em valor absoluto e percentual

Tabela de decisão: qual inventário rodar

Escolha o ritmo que a equipe repete sem inventar número no fim do turno.

Situação Tipo na planilha Frequência mínima O que contar Sinal de falha
Casa pequena, um estoque Total valorizado Quinzenal ou mensal no fechamento Todos os SKUs ativos Sem data, sem assinatura ou “estimado” nas carnes
Alto giro de carne, laticínio e hortifruti Cíclico por categoria + total no mês Grupo crítico 3x/semana; total no fechamento Grupo do dia (ex.: carnes na segunda) Grupo crítico só no fim do mês e CMV sem explicação
Multiunidades ou franquia Total na mesma data + amostragem ABC Mensal sincronizado; itens A semanal A a 100%; B e C rotativos Nome de item diferente por loja
Bar com destilado de alto ticket Garrafas fechadas e abertas Semanal no bar; mensal no depósito Fechada em un; aberta em ml ou nível marcado Só conta caixa lacrada
Dark kitchen com poucos SKUs Cíclico dos itens que sustentam o cardápio Diário nos A; semanal nos demais Itens de maior custo por prato vendido Contagem sem amarrar à venda do dia

Itens A merecem reconferência a quatro mãos. Itens C de baixo valor podem ter contagem mais espaçada, se o grupo C não distorcer o CMV.

Como preencher a contagem sem inventar número

  1. Congele o movimento: defina horário. Mercadoria que chega durante a contagem fica em “recebido após inventário”.
  2. Conte do fundo para a porta: câmara e freezer primeiro.
  3. Uma unidade por SKU: converta caixa em unidade com o fator do Cadastro. Nunca some “2 cx + 5 un” na mesma célula.
  4. Validade na linha: anote a data mais próxima do local. Isso alimenta o controle de validade do estoque e o FEFO do dia seguinte.
  5. Divergência vira reconferência: em item A, conte de novo. Não faça média de peito de frango.
  6. Assine o Resumo: sem responsável e data, o arquivo vira rascunho.

Para a lógica de giro (primeiro que vence versus primeiro que entra), use o comparativo de FIFO e FEFO no estoque. A planilha captura o parado; o método de saída evita achar o mesmo lote vencido no inventário seguinte.

Valorização do estoque e exemplo de CMV

Valor de inventário é o custo da NF na unidade da contagem, não preço de prateleira de varejo. Use a mesma regra de valorização no início e no fim do período. Item vencido, queimado ou impróprio sai do valor útil e vai para perdas do Resumo: esconder vencido no estoque final reduz o CMV no papel e mantém risco na câmara.

Exemplo ilustrativo (demonstração, não meta de mercado): EI R$ 12.000, compras R$ 38.000, EF R$ 11.200, receita R$ 95.000. CMV = 12.000 + 38.000 – 11.200 = R$ 38.800. CMV % = 38.800 ÷ 95.000 = 40,8%.

Temperatura, validade e jurisdição da norma

A planilha não substitui o termômetro, mas conversa com a rotina sanitária. No âmbito federal, a RDC nº 216/2004 da ANVISA, item 4.8.8, determina que o tratamento térmico deve garantir que todas as partes do alimento atinjam, no mínimo, 70 °C; temperaturas inferiores só entram se a combinação de tempo e temperatura for suficiente para a qualidade higiênico-sanitária. A cartilha de Boas Práticas da ANVISA repete o piso de 70 °C em linguagem de treino; a regra normativa federal é o item 4.8.8 da RDC, não a cartilha isolada.

Em São Paulo, o art. 41 da Portaria CVS nº 5/2013 exige cocção a no mínimo 74 °C no centro geométrico do alimento (com ressalva de outras combinações tempo-temperatura suficientes), enquanto a CVS 5 permanecer vigente. A Portaria CVS nº 3/2026 (arts. 3º e 4º: entra em vigor e revoga a CVS 5/2013 após 90 dias contados da publicação no DOE-SP de 06/07/2026), no art. 59, eleva o parâmetro paulista a 75 °C no centro geométrico a partir de 04/10/2026. Nunca atribua 74 °C nem 75 °C à ANVISA: são regras da vigilância sanitária estadual de São Paulo sobre o piso federal de 70 °C. Fora de SP, use a RDC 216 e a vigilância local.

Na conservação, a cartilha da ANVISA orienta geladeira abaixo de 5 °C e reforça que produto com validade vencida não deve ser usado no preparo. Colunas de local e validade na contagem servem para cruzar com a leitura do termômetro: peixe no local errado ou lote vencido já saiu do “só financeiro”.

Rotina que mantém a planilha viva

  • Recebimento: atualize custo unitário do item A quando a NF mudar o preço.
  • Dia a dia: contagem cíclica do grupo A ou baixa por ficha técnica se o PDV for confiável.
  • Semana: revise validades próximas e priorize produção (FEFO).
  • Fechamento: inventário total, Resumo, CMV % e lista de divergências.
  • Troca de cardápio: desative SKUs no Cadastro e inclua os novos antes da próxima contagem.

Se a dor for hortifruti e pré-preparo, some inventário às práticas de como reduzir desperdício em restaurante.

Quando o Excel de inventário deixa de bastar

A planilha resolve o começo: foto do estoque, CMV do mês e disciplina de contagem. Ela falha com várias pessoas no mesmo arquivo, com venda sem baixa de insumo e com alerta de validade que precisa chegar no turno, não no e-mail do domingo.

  • Três versões do arquivo no WhatsApp da gerência.
  • Contagem feita, mas compra ainda no olho.
  • Item A com divergência recorrente e zero reconferência.
  • Segunda unidade e consolidado que demora dias.

Nesse ponto não adianta planilha mais colorida: é processo de recebimento, contagem com responsável e FEFO no estoque físico. Até lá, as três abas deste modelo são o mínimo auditável. Monte o arquivo, conte os itens A e feche o primeiro Resumo na próxima virada de período. O CMV só melhora quando a foto do estoque for verdadeira.